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76ª Berlinale (2026) Berlinale

Berlinale 2026 – Um Olhar à Descoberta do Cinema de Autor

A Berlinale está à porta e, entre os dias 12 e 22 de fevereiro, a 76ª edição do Festival Internacional de Cinema de Berlim assume-se como a capital do cinema, prometendo manter o cinema independente (e político) dentro da discussão e, dessa forma, captar a atenção da imprensa e público. 

Foi revelada na passada terça-feira (dia 20 de janeiro) a seleção oficial que compete pelo Urso de Ouro e Ursos de Prata, os principais prémios do festival. A programação apresenta uma variedade de géneros, desde o romance ao anime, passando pelo jazz, o western e o body horror. Os vencedores serão anunciados dia 21 de Fevereiro, sob a presidência do júri confiada a Wim Wenders, que sucede Todd Haynes.

Entre as 22 obras selecionadas, maioritariamente de ficção, encontramos uma primeira longa-metragem/filme de animação (A New Dawn (2025), de Yoshitoshi Shinomiya) e um documentário (Yo (Love is a Rebellious Bird) (2026), de Anna Fitch, Banker White), cuja curadoria se destaca, no sentido de alargar o cânone para além de Hollywood e do prestígio internacional. A seleção reúne produções de 28 países, com 20 estreias mundiais. 

Há muitas expectativas na seleção de talentos afirmados ao longo dos últimos anos: catorze cineastas são repetentes na Berlinale, incluindo seis na competição. Em destaque, Karim Aïnouz, Angela Schanelec, Kornél Mundruczó, Iker Catak ou Alain Gomis.  

Karim Aïnouz é, talvez, um dos nomes mais observados da competição, onde apresentou Praia do Futuro, em 2014. Desta vez, a obra candidata a receber o Urso de Ouro é Rosebrush Pruning (2026), com um cast internacional, incluindo os nomes de Elle Fanning, Callum Turner, Riley Keough, Jamie Bell e Pamela Anderson (vide peça do colega Ian Capillé).

A paridade feminina, um apanágio da Berlinale, fica estabelecida com nove filmes realizados ou co-realizados por mulheres, consolidando assim a sua visibilidade numa das principais montras do calendário cinematográfico.

Apesar de exibido fora da competição, a realizadora afegã Shahrbanoo Sadat terá a honra de abrir o festival com No Good Men (2026), assumindo o papel principal neste filme de cariz político e pessoal, que conta a história de uma operadora de câmara da televisão de Cabul nas vésperas do regresso dos Talibãs ao poder. Um cinema com coração, política, resistência e com uma mulher à frente da câmara que pretende dar que falar.

Além disso, o Festival atribuirá o Urso de Ouro Honorário de 2026 à atriz vencedora do Óscar de Melhor Atriz em 2023, Michelle Yeoh, em reconhecimento das suas notáveis conquistas no cinema. O prémio será entregue na Cerimónia de Abertura no Berlinale Palast no dia 12 de fevereiro de 2026. 

Ao anunciar a programação, Tricia Tuttle, diretora do festival, sublinha a batalha para manter cinemas e distribuidores independentes vivos, bem como a qualidade da seleção ao afirmar:“Se não encontrar algo aqui que ame, então não ama cinema”.

O festival, reconhecido pelo seu perfil político e pela valorização de novos talentos, promete, assim, um cinema robusto, vasto e internacional que encontra em Berlim uma porta aberta para continuar a apostar no futuro do cinema em sala, como um espaço de partilha, reflexão e resistência. Entre linhas estéticas distintas, tensões geopolíticas e questões sociais, a 76ª edição da Berlinale promete dar-nos a conhecer obras que incitem pulsantes paixões e, por isso, pulsantes debates.

Eis uma pequena lista dos títulos mais aguardados na Seleção Oficial (que por certo iremos acompanhar):

At the Sea (2026), Kornél Mundruczó (EUA/Hungria): Amy Adams interpreta uma mulher que, após a sua reabilitação, regressa à sua casa de família, onde a sobriedade a obriga a confrontar traumas enterrados.

Dust (2026), Anke Blondé (Bélgica/Polónia/Grécia/Reino Unido): Thriller, no auge do boom tecnológico belga, em que dois visionários empreendedores se separam no seu último dia de liberdade em busca de redenção. Isto após a notícia da sua fraude se espalhar.

Home Stories (2026), Eva Trobisch (Alemanha): Lea começa uma busca por uma identidade dentro e fora do hotel da sua família nas florestas da antiga Alemanha de Leste.

Yellow Letters (2026), İlker Çatak (Alemanha/França/Turquia): O casamento de Derya e Aziz, artistas de renome da Turquia, é levado ao limite quando um incidente na estreia da sua peça os leva à ruína e começam a ser subitamente perseguidos pelo Estado.

Rose (2026), Markus Schleinzer (Áustria/Alemanha): Sandra Hüller retoma ao grande ecrã neste drama situado no início do século XVII. Quando um soldado chega a uma aldeia protestante isolada na Alemanha, afirmando ser o herdeiro de uma quinta abandonada, as suspeitas dos aldeões sobre a sua identidade aumentam e forçam um ajuste de contas.

Fazem ainda parte da competição, os seguintes títulos:

Dao (2026), Alain Gomis (França/ Senegal/ Guiné-Bissau)

Everbody Digs Bill Evans (2026), Grant Gee (Irlanda/Reino Unido)

Flies (2026), Fernando Eimbcke (México) 

In a Whisper (2026), Leyla Bouzid (França/Tunísia)

Josephine (2025), Beth Araújo (EUA)

My Wife Cries (2026), Angela Schanelec (Alemanha/França)

Nightborn (2026), Hanna Bergholm (Finlândia/Lituânia/França/Reino Unido)

Nina Roza (2026), Geneviève Dulude-de Celles (Canadá/Itália/Bulgária/Bélgica)

Queen at Sea (2026), Lance Hammer (Reino Unido/ EUA)

Salvation (2026), Emin Alper (Turquia/França/Holanda/Grécia/Suécia/Arábia Saudita)

Soumsoum, The Night of the Stars (2026), Mahamat-Saleh Haroun (França/Chade)

The Loneliest Man in Town (2026), Tizza Covi, Rainer Frimmel (Áustria)

Walfrom (2025), Warwick Thornton (Austrália) 

We Are All Strangers (2026), Anthony Chen (Singapura)

Beatriz Santos

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